Em um movimento que promete redefinir o cenário de governança corporativa da Hapvida (HAPV3), a operadora de assistência médica reapresentou, nesta terça-feira (7 de abril de 2026), o boletim de voto a distância para sua próxima assembleia geral. O objetivo: incluir as indicações da gestora Squadra para a eleição da nova composição do conselho de administração da companhia. A informação, crucial para investidores, foi detalhada em um comunicado aos acionistas encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Squadra, que detém uma participação relevante de 6,98% do total de ações da Hapvida, não está poupando esforços para influenciar os rumos da empresa. Suas indicações para o conselho são nomes de peso no mercado financeiro e corporativo: Eduardo Parente, com experiência como ex-diretor-presidente da Yduqs e atual presidente do conselho da Equatorial; Tania Sztamfater Chocolat, membro dos conselhos da Equatorial e da Totvs; e Bruno Magalhães e Silva, sócio da própria Squadra. Essa tríade busca trazer uma nova perspectiva e, potencialmente, um controle mais rigoroso sobre a gestão.
O Contexto da Disputa: Insatisfação e Desempenho
A alteração do boletim de voto não é um evento isolado, mas o ápice de uma série de pressões exercidas pela Squadra. Na última quarta-feira (1º de abril), a gestora encaminhou uma carta contundente à Hapvida, na qual elencou 13 pontos que considera problemáticos na gestão recente da empresa. Essas críticas abrangem desde a perda de valor de mercado da companhia até resultados operacionais negativos, mesmo em um período de recuperação para o setor de saúde.
Entre as principais preocupações da Squadra, destacam-se:
- Perda de Valor de Mercado: A desvalorização das ações da Hapvida, impactando diretamente os acionistas.
- Resultados Operacionais Negativos: Desempenho aquém do esperado, mesmo com um cenário setorial mais favorável.
- Reapresentação de Balanços: A necessidade de ajustes em demonstrações financeiras, levantando dúvidas sobre a transparência.
- Prejuízos aos Minoritários: A percepção de que a gestão atual não tem priorizado os interesses dos acionistas minoritários.
Um dos pontos mais sensíveis abordados pela gestora é a sucessão na cadeira de diretor-presidente da Hapvida. A Squadra defende que essa decisão, de “extrema relevância”, deveria ser reavaliada pelo conselho a ser eleito na próxima assembleia. Atualmente, após 27 anos no cargo, Jorge Pinheiro, filho do fundador da empresa, deixará a posição para assumir um posto no conselho de administração. Seu substituto já anunciado é Luccas Augusto Adib, atual vice-presidente de finanças, relações com investidores e tecnologia.
O Chamado aos Acionistas: Um Novo Voto é Essencial
Diante das mudanças, a Hapvida recomenda enfaticamente que os acionistas enviem um novo boletim de voto a distância. O objetivo é evitar instruções conflitantes e garantir que a vontade dos investidores seja devidamente registrada. O prazo final para o envio desses novos boletins se encerra em 26 de abril, apenas quatro dias antes da assembleia, que está prevista para as 9h de 30 de abril.
Este embate de governança corporativa na Hapvida destaca a crescente influência de acionistas ativistas no mercado brasileiro, que buscam maior alinhamento entre a gestão e os interesses dos investidores. A decisão da assembleia terá implicações significativas não apenas para a operadora de saúde, mas também para o mercado como um todo, servindo como um estudo de caso sobre a importância da governança e da representatividade dos acionistas.
A Visão do Especialista
A movimentação da Squadra na Hapvida é um clássico exemplo de ativismo de acionistas que buscam destravar valor e melhorar a performance de uma companhia. Para os investidores, essa disputa representa tanto um risco quanto uma oportunidade. O risco reside na incerteza de uma transição de poder e nas possíveis turbulências no curto prazo. Contudo, a oportunidade surge da possibilidade de uma gestão mais alinhada aos interesses dos acionistas, com foco em resultados e governança mais robusta. A entrada de nomes como Eduardo Parente e Tania Sztamfater Chocolat no conselho pode injetar uma nova dinâmica estratégica, potencialmente corrigindo as deficiências apontadas pela Squadra. Recomenda-se aos acionistas da Hapvida que acompanhem de perto os desdobramentos, pois a composição do novo conselho será um fator determinante para o futuro da empresa e, consequentemente, para o desempenho de suas ações no mercado.